Educação básica no Brasil: 64 milhões sem concluir
64 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica no Brasil. Veja o que o estudo revela e por que matricular não é diagnosticar.
Sessenta e quatro milhões. Esse é o número de brasileiros com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica no Brasil — 37,3% de toda essa faixa da população. Não é erro de digitação, é o retrato de um país inteiro fora do radar de qualquer trilha de aprendizagem estruturada.
O dado vem de um estudo assinado por 16 organizações da sociedade civil, incluindo Unesco, Unicef e Fundação Roberto Marinho, com base na Pnad Contínua/IBGE 2025. Foi divulgado junto com o lançamento de uma rede voltada à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e à inclusão produtiva (G1, 07/07/2026).
Você pode ler esse número como estatística distante. Mas ele tem nome, CPF e endereço na cidade onde você trabalha. E ele expõe uma diferença que gestor público de educação precisa levar a sério: matricular alguém e diagnosticar o que essa pessoa já sabe são ações completamente diferentes.
O que o estudo mostra sobre a educação básica no Brasil
O levantamento divide o problema em duas camadas. A primeira: 44,7 milhões de brasileiros não terminaram o ensino fundamental. A segunda: 19,3 milhões concluíram o fundamental, mas pararam antes de fechar o ensino médio.
Juntas, essas duas camadas somam os 64 milhões que dão nome ao estudo. A metodologia usa a Pnad Contínua, pesquisa domiciliar do IBGE que mede escolaridade, trabalho e renda de forma amostral e contínua ao longo do ano.
Isso significa que o dado não é uma foto isolada — é uma tendência consolidada em 2025, sustentada por entrevistas em milhares de domicílios brasileiros. Não dá pra tratar como ruído estatístico.
A leitura mais direta: mais de um terço da população adulta brasileira carrega uma lacuna formal de escolarização. E essa lacuna não aparece isolada — ela se conecta direto com renda, empregabilidade e acesso a qualificação profissional.
O número que resume o tamanho do problema
37,3%
dos brasileiros com 15 anos ou mais — 64 milhões de pessoas — não concluíram a educação básica, segundo a Pnad Contínua/IBGE 2025.
Esse percentual não está distribuído igualmente pelo país. Ele se concentra em regiões com menor renda per capita, maior evasão escolar histórica e menos oferta de EJA. Se você gestiona rede municipal ou estadual, é bem provável que uma fração relevante da sua força de trabalho local esteja nesse grupo.
O impacto passa longe de ser só individual. Prefeituras e estados perdem competitividade quando parte da população economicamente ativa não tem a base formal pra acompanhar qualificação técnica avançada. Educação básica incompleta trava a porta de entrada pra praticamente qualquer programa de requalificação profissional sério.
E o cenário pressiona duplamente quem trabalha com formação: você precisa alfabetizar quem nunca teve a chance e, ao mesmo tempo, preparar quem já tem o fundamental pra um mercado que exige cada vez mais competência técnica e digital.
Por que a EJA sozinha não fecha essa conta
O estudo aponta um detalhe que muda a leitura do problema: a Educação de Jovens e Adultos atende hoje apenas 1,5% da demanda potencial identificada. Ou seja, existe vaga, existe política pública — só falta ela alcançar quem precisa.
Esse gap de 1,5% não é falha de gestão isolada. É sintoma de um modelo que ainda pensa em vaga antes de pensar em pessoa. A rede recém-lançada tenta resolver justamente essa distância entre demanda real e oferta efetiva de matrícula.
Só que abrir mais vagas de EJA, sozinho, não resolve o problema de fundo. Um jovem de 22 anos que abandonou o ensino médio não tem o mesmo ponto de partida que um adulto de 55 anos que nunca foi alfabetizado. Colocar os dois na mesma sala, com o mesmo conteúdo, sem diagnóstico prévio, é reproduzir o motivo que os fez evadir da primeira vez.
Aqui mora a diferença estratégica que a CognusPlay defende: matricular resolve estatística de acesso. Diagnosticar resolve o problema de verdade — porque revela o que cada pessoa já sabe, onde estão as lacunas específicas e qual trilha faz sentido pra ela terminar o percurso dessa vez.
✓ Faça
Diagnostique o nível de competência antes de matricular — identifique lacunas específicas de leitura, cálculo e letramento digital de cada aluno.
✕ Evite
Matricular em turma única, com conteúdo padrão, sem checar o ponto de partida de quem já tentou voltar a estudar antes e não terminou.
Rede que só conta matrícula repete o padrão que gerou os 64 milhões de hoje. Rede que diagnostica antes de ensinar tem chance real de reduzir esse número na próxima década.
Transforme o dado em decisão
Você não precisa esperar o próximo censo pra agir. O diagnóstico de competência pode acontecer na ponta — antes de qualquer matrícula, antes de qualquer trilha de EJA ou requalificação profissional ser desenhada.
Transforme o dado em decisão
Veja como a plataforma mede competência antes de indicar qualquer trilha de aprendizagem.
A lógica é simples de explicar e difícil de implementar sem ferramenta certa: você aplica um diagnóstico curto, mede onde a pessoa está — leitura, cálculo, competências digitais, perfil comportamental — e só depois desenha o percurso. Isso vale pra rede de EJA, pra requalificação profissional e pra qualquer programa de inclusão produtiva que queira taxa de conclusão maior que a atual.
Sem esse passo, você continua alocando recurso público em vaga que não conversa com quem ocupa ela. Com diagnóstico, cada vaga de EJA vira trilha desenhada pra quem está sentado ali.
O que gestores públicos podem fazer com esse dado agora
Primeiro passo: use os 64 milhões como argumento de urgência no seu planejamento orçamentário. Esse número já tem chancela de Unesco, Unicef e Fundação Roberto Marinho — é dado difícil de contestar em qualquer conselho municipal de educação.
Segundo passo: revise como sua rede mede a demanda real de EJA. Se você só conta quem já procurou matrícula, está enxergando uma fração pequena do problema — lembra que a oferta atual cobre só 1,5% do total.
Terceiro passo: antes de expandir vaga, monte um diagnóstico simples de nível de escolaridade e competência na sua base de munícipes ou colaboradores. Isso te dá dado pra pedir recurso com precisão e pra desenhar trilha que realmente termina.
Esse tipo de decisão conecta direto com outras pautas que você já deve estar acompanhando — como a revisão do Plano Municipal de Educação, que também exige diagnóstico prévio antes de definir meta, e a política de estado pra formação docente, que depende de saber onde o professor está hoje pra planejar onde ele precisa chegar.
Vale olhar também para o que já está em curso: a obrigatoriedade da educação digital no currículo escolar, o avanço da universalização da internet nas escolas públicas e o debate sobre educação financeira nas escolas — todos dependem do mesmo princípio: medir antes de ensinar.
Os 64 milhões não vão desaparecer com mais uma campanha de matrícula. Eles vão diminuir quando cada rede parar de tratar educação de adulto como vaga genérica e passar a tratar como percurso desenhado a partir de diagnóstico real — pessoa por pessoa, competência por competência.
Fonte: G1, publicado em 07/07/2026. Estudo conduzido por 16 organizações da sociedade civil, incluindo Unesco, Unicef e Fundação Roberto Marinho, com base na Pnad Contínua/IBGE 2025.
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