modelo 70-20-10 — profissionais aprendendo por experiência no trabalho e com outros
Boas Práticas

Modelo 70 20 10: o que é e como aplicar no T&D

Modelo 70 20 10: 70% do desenvolvimento vem da experiência, 20% de outros e 10% de treinamento formal. Entenda como aplicar no design de aprendizagem corpo...

cognusplay
17/07/2026
· 5 min de leitura

O modelo 70-20-10 é uma das frameworks mais citadas no design de aprendizagem corporativa — e também uma das mais mal aplicadas. A ideia é simples: estudos com mais de 200 executivos, conduzidos por Morgan McCall, Michael Lombardo e Robert Eichinger no Center for Creative Leadership nos anos 80, indicaram que o desenvolvimento de lideranças eficazes acontece aproximadamente em três proporções: 70% por experiências no trabalho, 20% por aprendizagem com outros (feedback, mentoring, coaching, observação) e 10% por treinamento formal (cursos, workshops, programas estruturados).

A publicação original do CCL deixa claro: 70-20-10 não é uma regra prescritiva — é uma diretriz para repensar onde os programas de T&D investem o orçamento. Se 90% do desenvolvimento acontece fora da sala de aula, faz sentido que 90% do orçamento vá para a sala de aula?

70%

do desenvolvimento de liderança acontece pela experiência no trabalho — não em cursos formais (modelo 70-20-10, Center for Creative Leadership)

O que é o modelo 70 20 10

O modelo 70-20-10 é um framework de aprendizagem e desenvolvimento que descreve como adultos aprendem no contexto profissional. Os três componentes são:

  • 70% — experiência no trabalho — projetos desafiadores, novos papéis, situações de pressão, erros e suas consequências, gestão de equipes em contextos difíceis, exposição a problemas que não têm solução manual. É aqui que a maior parte do desenvolvimento de competências de liderança acontece — porque o aprendizado real é sempre contexto-dependente
  • 20% — aprendizagem com outros — feedback de gestores e pares, mentoring, coaching executivo, observação de modelos de liderança, participação em redes profissionais, comunidades de prática. A aprendizagem social é acelerada porque permite que o aprendiz processe experiências com a perspectiva de quem já passou por situações similares
  • 10% — treinamento formal — cursos, workshops, programas de MBA, certificações, e-learning. Fundamentais para construir base conceitual e vocabulário compartilhado — mas insuficientes para produzir mudança de comportamento por si só

Como aplicar o modelo 70-20-10 no T&D

  1. Reduza a dependência do 10% — reavalie o portfólio de treinamentos formais. Quais deles existem porque são tradição, não porque têm evidência de impacto? O 10% é necessário mas não deve ser o único investimento
  2. Estruture o 70% — o aprendizado por experiência não é deixar as pessoas se virarem. É designar projetos com grau calculado de desafio, garantir debriefing após situações de alta pressão e criar um ambiente onde o erro é aproveitado como dado de aprendizagem
  3. Formalize o 20%gestão da aprendizagem inclui criar programas de mentoring, garantir que gestores saibam dar feedback, e conectar colaboradores a pessoas mais experientes de forma intencional, não casual
  4. Não use as proporções como dogma — 70-20-10 é uma bússola, não uma fórmula. O peso de cada componente varia de acordo com o estágio de carreira, a função e o tipo de competência sendo desenvolvida. Um profissional júnior precisa de mais 10% para construir base. Um líder sênior precisa de mais 70% para desenvolver julgamento

Críticas ao modelo 70-20-10

O modelo 70-20-10 tem críticos relevantes. A principal crítica é metodológica: os números 70, 20 e 10 vêm de uma pesquisa dos anos 80 com uma amostra específica de executivos norte-americanos — e nunca foram replicados com rigor estatístico suficiente para justificar uso como lei universal. Charles Jennings, um dos principais defensores do modelo, reconhece isso abertamente: as proporções são aproximações úteis, não descobertas científicas precisas.

A segunda crítica é operacional: o modelo descreve como o desenvolvimento acontece, mas não diz como as empresas devem estruturar programas de T&D para alavancar os 70% e os 20%. É mais fácil comprar um curso (10%) do que criar condições para aprendizagem por experiência (70%). Por isso o modelo é mais útil como argumento para mudança de mentalidade do que como guia de implementação direto. Usar o 70-20-10 para questionar o portfólio de treinamentos é uma aplicação legítima; usá-lo para justificar reduzir o orçamento de L&D sem investir nos outros dois componentes é um erro.

O legado real do 70-20-10 não são os números — é a mudança de perspectiva que ele provoca. Quando uma equipe de T&D usa o modelo para auditar como o orçamento está distribuído e descobre que 90% vai para o componente de menor impacto, a conversa com a liderança muda. O modelo dá linguagem para uma intuição que os bons gestores de pessoas já tinham: o que mais desenvolve profissionais não é o que acontece em salas de treinamento, é o que acontece no trabalho real. Formalizar essa intuição com uma estrutura reconhecida é o que torna possível redirecionar recursos para os 70% e 20% sem precisar convencer do zero. O resultado esperado não é eliminar o treinamento formal — é garantir que ele seja complemento de experiência e relação, não substituto.

70-20-10 funciona com trilhas que integram os três componentes.

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O próximo passo é auditar como o orçamento de T&D da sua organização está distribuído entre os três componentes — e comparar com onde o aprendizado de fato acontece. Se o gap for grande, o modelo 70-20-10 oferece uma linguagem para a conversa com a liderança sobre realocar investimento onde ele produz mais resultado.

Escrito por
cognusplay
Equipe de conteúdo CognusPlay.

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