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Educação Digital

Governo anuncia R$ 284 milhões em conectividade e inaugura lab em SC

O Ministério das Comunicações anunciou R$ 284 milhões em conectividade para Santa Catarina — o que esse investimento significa para escolas, professores e alunos.

cognusplay
23/06/2026
· 4 min de leitura

O Ministério das Comunicações anunciou R$ 284,1 milhões em investimentos de conectividade e inclusão digital para Santa Catarina — e, com a inauguração de um laboratório de informática em escola pública de Camboriú, deu um recado claro: conectividade escolar em 2026 não é mais promessa, é entrega com endereço.

O anúncio acontece num momento em que o Brasil avança para fechar o ano com todas as escolas públicas conectadas. Mas entender o que esse número de R$ 284 milhões representa na prática — e o que ainda falta depois da conexão — é o que separa política de impacto de política de palanque.

O que está sendo investido em Santa Catarina

Os R$ 284,1 milhões vêm de duas frentes. Uma parte vem do programa Escolas Conectadas, que já conectou cerca de 4.200 unidades de ensino em SC — das quais R$ 92 milhões foram destinados especificamente para internet de alta velocidade. A outra parte financia expansão de telefonia móvel (R$ 120,7 milhões já investidos no estado, com mais R$ 71,4 milhões previstos até o fim de 2026).

Além da conectividade, o evento inclui a inauguração de um laboratório de informática montado pelo programa Computadores para Inclusão, que já distribuiu mais de 83 mil computadores recondicionados para mais de 1.400 municípios brasileiros. O modelo funciona: recolhe equipamentos eletrônicos descartados por órgãos públicos, recondiciona em centros especializados e redistribui para escolas e projetos sociais.

4.200

escolas de Santa Catarina já conectadas pelo programa Escolas Conectadas, com R$ 92 milhões investidos só no estado.

O que muda para alunos e professores

Conectar uma escola é o primeiro passo — mas não o fim do caminho. Quando você coloca internet de qualidade numa sala de aula, você cria uma infraestrutura. O que acontece com essa infraestrutura depende de três fatores que nenhum cabo de fibra resolve: formação do professor, design pedagógico do conteúdo e engajamento do aluno.

Em SC, as 4.200 escolas conectadas agora têm acesso a plataformas digitais, videoconferências, conteúdos interativos e sistemas de gestão escolar. Isso significa que um professor em Lages pode acessar o mesmo recurso pedagógico que um professor em Florianópolis. E que um aluno em área rural pode participar de uma aula ao vivo com especialistas em São Paulo.

Mas só se o professor souber usar. E só se o conteúdo for desenhado para engajar — não apenas para cumprir carga horária.

O problema que o investimento em conectividade não resolve

O maior risco após a conexão é o “efeito laboratório vazio”: a escola tem a estrutura, mas continua usando o mesmo método de sempre. Isso acontece quando a formação docente não acompanha o investimento em infraestrutura. Esse é o mesmo gargalo que o Panorama de formação docente em BNCC Computação identificou em todas as regiões do país.

Dados do próprio MEC indicam que menos de metade dos professores brasileiros passou por formação específica em uso pedagógico de tecnologias digitais. Isso não é crítica ao professor — é crítica à ordem das coisas: não dá para entregar a ferramenta antes de preparar quem vai usá-la.

A boa notícia é que essa lacuna está sendo endereçada: a BNCC Computação agora torna obrigatório o ensino de habilidades digitais em toda a educação básica, e programas de formação docente em tecnologia estão em expansão. Mas o caminho entre a portaria e a sala de aula ainda tem muitos gargalos.

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O que esperar dos próximos meses

Santa Catarina recebe atenção especial nesse ciclo de investimentos, mas o movimento é nacional. A meta do governo federal é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026 — e o Brasil já ultrapassou a marca de 100 mil unidades com internet adequada para uso pedagógico.

O Ciclo 2026 da Política de Inovação Educação Conectada (PIEC) está em fase de validação de dados. Redes que não atualizarem as informações no Simec correm risco de perder prioridade no próximo ciclo de recursos.

Para gestores de secretarias municipais e estaduais: esse é o momento de garantir que sua rede está cadastrada, que os dados de conectividade estão atualizados e que a formação docente em tecnologia está no plano de trabalho para o segundo semestre. A infraestrutura chegou — o uso pedagógico é responsabilidade de quem está na ponta.

O próximo passo não é técnico — é pedagógico. Plataformas de conteúdo, ferramentas de colaboração e ambientes de aprendizagem digital precisam ser integrados ao currículo com intenção. Isso significa formação continuada para professores, diagnóstico de competências digitais dos alunos e uma estratégia clara de como a conectividade vai apoiar as metas do programa Escolas Conectadas na prática, dentro de cada sala de aula. Redes que souberem fazer essa transição vão transformar infraestrutura em aprendizagem.

Escrito por
cognusplay
Equipe de conteúdo CognusPlay.

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