Inteligência artificial no T&D: de 8% para 69% em um ano
Em 12 meses, o uso de inteligência artificial para criar conteúdo de treinamento corporativo saltou de 8% para 69%. O que esse número significa — e o que ainda falta resolver.
Em 2024, apenas 8% das empresas usavam inteligência artificial para criar conteúdo de treinamento. Em 2025, esse número pulou para 69%. Um salto de 8,6× em 12 meses — e o WEF projeta que 50% das empresas globais usarão IA em desenvolvimento de talentos até o fim de 2026.
Esses dados vêm do relatório KPMG + Universidade de Melbourne, publicado em 2026, que também posiciona o Brasil entre os países que mais avançam em qualificação para IA — com 47% das organizações já em estágios avançados de upskilling. O cenário mudou. A pergunta é: mudou para melhor?
O que explica o salto de 8% para 69% no uso de IA no treinamento corporativo
A explosão de ferramentas de IA generativa acessíveis — ChatGPT, Claude, Gemini, além de ferramentas especializadas em conteúdo educacional como Coursebox, Learnworlds e Articulate AI — derrubou a barreira técnica e financeira para usar IA na criação de cursos.
O que antes exigia uma equipe de instrucionistas e designers com semanas de produção, hoje pode ser feito em horas com prompts bem construídos. Resultado: mais conteúdo, mais rápido, a custo menor. Isso explica a adoção em massa.
O que ainda não explica é se o conteúdo gerado por inteligência artificial está gerando aprendizagem.
8,6×
em 12 meses — o crescimento de uso de IA para criar conteúdo de T&D: de 8% das empresas em 2024 para 69% em 2025.
O problema que a IA resolve — e o que ela não resolve
A IA resolve um problema real de T&D: a produção de conteúdo em escala é cara e lenta. Com IA, uma empresa pode criar um módulo de 45 minutos em horas, personalizar o tom para diferentes perfis de colaboradores, traduzir em múltiplos idiomas, e atualizar quando o conteúdo envelhece.
O que a IA não resolve — e ninguém está falando sobre isso na corrida de adoção — é a questão do engajamento, da retenção e da evidência de competência.
Conteúdo bem produzido não é sinônimo de aprendizagem. Um vídeo gerado por IA com roteiro perfeito ainda depende que o colaborador assista com atenção, pratique o que aprendeu e aplique no contexto do trabalho. Se o design instrucional do conteúdo não gera engajamento — e a maioria do conteúdo EAD não gera — a IA apenas acelerou a produção de conteúdo que ninguém vai concluir de verdade.
Brasil entre os líderes em upskilling de IA
O relatório KPMG + Melbourne é contundente: o Brasil não é retardatário nessa onda. Com 47% das organizações em estágios avançados de qualificação para IA, o país fica acima da média global — um dado que contraria a narrativa de que o mercado corporativo brasileiro está atrasado.
O que isso significa na prática: as empresas brasileiras estão tanto usando IA para criar conteúdo quanto ensinando seus colaboradores a usar IA no trabalho. As duas frentes avançam juntas.
O desafio do segundo semestre de 2026 não é adotar IA no T&D — quem não adotou já está atrasado. O desafio é usar inteligência artificial de forma que produza competência mensurável, não apenas conteúdo disponível.
Você já usa IA para criar conteúdo. E para medir se funcionou?
A CognusPlay diagnóstica o gap antes e mede o desenvolvimento depois — com ou sem conteúdo gerado por IA.
Inteligência artificial no treinamento corporativo: o que as empresas avançadas fazem diferente
As organizações que estão nos “estágios avançados” de upskilling de IA não estão apenas usando IA para criar cursos. Elas estão construindo um ecossistema de aprendizagem com camadas:
- Diagnóstico de gaps — antes de qualquer conteúdo, mapear quais competências faltam para cada perfil de colaborador
- Conteúdo gerado por IA — rápido, escalável, personalizado por perfil e área de atuação
- Entrega gamificada — missões curtas, progressão visível, feedback imediato — para garantir que o conteúdo seja consumido com atenção
- Evidência de competência — avaliações práticas que medem mudança de comportamento, não só conclusão de módulo
- Loop de melhoria contínua — dados de engajamento e resultado retroalimentam a criação de novos conteúdos pela IA
Esse ciclo é o que separa T&D com IA de T&D sobre IA. Um é infraestrutura. O outro é estratégia.
O que muda para quem faz T&D agora
Se você é gestor de T&D, analista de RH ou responsável pela educação corporativa da sua empresa, o dado de 8%→69% em um ano tem uma implicação prática imediata: a concorrência está usando IA para criar conteúdo. Se você não está, está perdendo velocidade e escala. Veja também como o Panorama T&D Brasil revela que as empresas treinam apenas 26 horas por colaborador ao ano — e por que isso importa para entender o contexto de adoção.
Mas velocidade de produção de conteúdo sem qualidade de entrega e evidência de resultado só acelera o problema que o T&D corporativo já tem: muito treinamento disponível, pouco desenvolvimento comprovado. Esse é o padrão documentado pelo ROI de treinamento corporativo — mais conteúdo não é sinônimo de mais resultado.
A pergunta que vale fazer antes de adotar mais ferramentas de inteligência artificial para criação: como vou saber se o conteúdo que a IA gerou está desenvolvendo a competência que preciso?
Quem responde essa pergunta com dados — não com suposição — é quem vai liderar o T&D corporativo nos próximos anos. O conteúdo está ficando comoditizado. A medição do resultado é o diferencial.
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