TIC Educação 2024: 7 em 10 alunos do EM usam IA generativa, mas só 32% foram orientados
A TIC Educação 2024 revela que 70% dos alunos do Ensino Médio usam IA generativa, mas apenas 32% receberam orientação escolar. O que a escola precisa fazer agora.
Sete em cada dez alunos do Ensino Médio com acesso à internet já usam IA generativa nas pesquisas escolares. Mas apenas 32% deles receberam alguma orientação da escola sobre como fazer isso. Esses números vêm da pesquisa TIC Educação 2024, do CETIC.br, divulgada em setembro de 2025, e apontam um problema que vai além da tecnologia: a escola ainda não sabe o que fazer com a IA que já chegou à sala de aula.
O dado sobre alunos do Ensino Médio e IA generativa não é surpresa para quem acompanha o cotidiano escolar. O ChatGPT, o Gemini e outros assistentes viraram ferramenta de sobrevivência estudantil antes de virarem pauta pedagógica. O problema é que sem orientação, o aluno usa mal, o professor não sabe intervir e a escola fica de fora de uma conversa que já acontece sem ela.
O que a TIC Educação 2024 deixa claro é que a tecnologia chegou antes do preparo. E isso tem consequências diretas para a qualidade do aprendizado.
O que os dados dizem exatamente
70%
dos alunos do Ensino Médio usam IA generativa em pesquisas escolares (TIC Educação 2024).
A pesquisa ouviu alunos e professores de escolas públicas e privadas do Brasil inteiro. Entre os estudantes do Ensino Médio com acesso à internet, 70% relataram usar IA generativa para ajudar em pesquisas e trabalhos escolares. O número é expressivo por si só, mas ganha outro peso quando você coloca do lado: 68% dos professores disseram não ter recebido formação para trabalhar com inteligência artificial em sala de aula.
Ou seja: o aluno usa, o professor não sabe mediar, e a escola não formou nenhum dos dois para esse momento. O gap não é de acesso, é de preparo. A IA generativa democratizou o uso antes de qualquer política pedagógica conseguir acompanhar o ritmo.
Esse cenário cria riscos concretos. Alunos sem orientação tendem a usar a IA para substituir o pensamento, não para ampliar. Copiam respostas sem avaliar, produzem textos que não passam pelo filtro crítico e desenvolvem uma dependência que fragiliza habilidades fundamentais como argumentação, síntese e autoria.
Por que a escola ficou para trás
A resposta não é preguiça nem resistência. É estrutura. O professor de Ensino Médio no Brasil já carrega uma carga horária excessiva, turmas superlotadas e currículo engessado. Adicionar “aprender a trabalhar com IA” nessa equação sem tempo, sem formação e sem suporte é pedir o impossível.
A formação continuada existe no papel, mas raramente chega em formato que funciona para o docente. Cursos genéricos, sem diagnóstico de ponto de entrada e sem trilha personalizada, acabam sendo mais uma obrigação a cumprir do que uma evolução real de prática pedagógica.
O resultado é previsível: 32% dos alunos receberam orientação. Os outros 68% estão navegando sozinhos num mar de informação gerada por máquinas, sem bússola crítica.
O que a escola precisa fazer agora
Proibir não funciona. Ignorar também não. O único caminho viável é estruturar formação docente com método.
Primeiro: entender onde cada professor está. Não dá para oferecer a mesma formação para quem nunca usou IA e para quem já integra o ChatGPT nas aulas. O ponto de entrada varia muito, e formação que ignora isso desperdiça tempo e dinheiro.
Segundo: construir competência progressiva. O professor precisa saber usar a IA antes de ensinar o aluno a usar. Isso inclui entender o que a ferramenta faz bem, o que ela inventa, como checar fontes e como usar a IA como andaime pedagógico, não como muleta.
Terceiro: criar protocolos de uso para os alunos. Não proibições, mas acordos pedagógicos claros: o que pode, o que não pode, quando a IA ajuda e quando ela atrapalha o aprendizado.
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O papel do diagnóstico na formação docente
Formação docente sem diagnóstico é como prescrever remédio sem examinar o paciente. O dado da TIC Educação 2024 revela um cenário heterogêneo: professores com níveis muito diferentes de familiaridade com tecnologia, motivações distintas e realidades de escola que variam do extremo ao outro.
Antes de propor qualquer trilha de aprendizagem sobre IA, a pergunta certa é: onde esse professor está agora? Qual o repertório digital dele? Quais são as barreiras concretas que ele enfrenta para integrar tecnologia na prática pedagógica?
Quando o diagnóstico precede a formação, o percurso faz sentido para quem vai percorrê-lo. O professor não se sente perdido nem subestimado. E o resultado aparece na prática, não só na avaliação de satisfação do curso.
70% usam, 32% foram orientados: o que você vai fazer com isso?
Esse dado da pesquisa TIC Educação 2024 sobre alunos do Ensino Médio usando IA generativa pode ser lido como problema ou como urgência. Como problema, paralisa. Como urgência, mobiliza.
A tecnologia já está na mochila do aluno. A questão agora é se a escola vai continuar de fora ou vai entrar na conversa com método e intenção pedagógica. Estruturar formação docente em IA não é modismo: é a diferença entre escola que reage e escola que educa.
O próximo passo concreto: mapear o perfil digital dos professores da sua rede antes de escolher qualquer formação. Sem esse mapa, qualquer trilha começa no lugar errado.
O dado da TIC Educação 2024 se conecta diretamente com o que o CNE está regulamentando sobre IA nas escolas e com o mandato de educação digital obrigatória no currículo a partir de 2026.
Os dados completos da pesquisa TIC Educação 2024 estão disponíveis no portal do CETIC.br para download gratuito.
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